Akatsuki no Yona, mangá e anime: tortinha de clichês.

Algumas palavras sobre o mangá e os três primeiros episódios do anime.

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Akatsuki no Yona é aquele tipo de mangá clichezento de fantasia que eu adoro. As capas são lindíssimas e arte tem aquele tom rústico, épico e bonito. Eu iria postar esse texto na sexta, mas deixei tudo no meu pendrive que deu pau, sorte que tinha um rascunho no notebook. Com o clima de eleições eu não tive como dedicar um tempo para terminar o post, eis que hoje saiu. (Ninguém quer saber). Quando anunciaram o anime fiquei super feliz e resolvi aproveitar esse espaço para dar algumas palavrinhas sobre o mangá e a versão animada. Ainda não conhece o mangá? Eis aqui a sinopse (porque tenho preguiça):

“Yona é a única princesa do reino, vivendo a vida luxuosa e despreocupada como uma princesa deve ser. Ela tem tudo: as melhores roupas e cosméticos, os doces mais divinos, um imperador como pai amoroso, e tem uma queda pelo seu primo, Soo-won. Agora, se o guarda-costas dela, Son Hak, não fosse tão chato com ela e seu cabelo não fosse tão vermelho… Mas seu mundo quase perfeito rapidamente destrói quando o homem que ela ama, Soo-wong, mata seu pai e o seu caminho para sua ascensão ao trono é assegurado. Son Hak escapa com Yona, e eles levam uma vida fugindo a partir desse ponto.” Sinopse by Shoujo´s Kawaii

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Esse texto tem apenas spoilers básicos e necessários para o entendimento da série, nenhuma revelação bombástica será dita aqui, eu só vou pincelar algumas observações mesmo.

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A primeira coisa que me chamou a atenção em Akatsuki no Yona foram as suas belas capas, a segunda (e que me atraiu tbm,) foi o fato de ser harém. Há certo receio de muitas pessoas quando descobrem que o mangá/anime é harém. Eu até entendo, minhas últimas experiências com harém foram com Famiglia Arcana, Hakuouki e Hiiro no Kakera, e como sofri! O menos ruim deve ser Hakuouki, digo isso baseada na popularidade da série.Se bem que o enredo de animes saídos de otome games geralmente é raso demais comparado a Clannad e outros da vida. Não significa que otome games sejam ruins só porque são otome games, falta mesmo é vontade de fazer uma coisa melhor. E nem falarei por todos, claro.
Voltando…harém não é certeza de que o anime será ruim, apenas de que os rapazes dependendo da autora serão caricatos demais, terão uma personalidade bem singular: sério, afeminado, cegamente fiel, gentil, grosso, infantil, desbocado, caladão, engraçadinho, dois vão viver se bicando, dois deles serão melhores amigos de personalidades opostas e a mocinha ficará dividida entre eles. Os cabelos serão coloridos para reforçar a diferença entre eles. Essa é a receita básica.
Eu nem vou negar que acho o reforço de esterotipar demais os personagens é fraco e claramente subestima a inteligência das leitoras. E põe em cheque a capacidade da autora de desenvolver seus personagens e conflitos entre eles. Há quem possa argumentar que certas delimitações são necessárias quando lidamos com um público mais novo ou infantil. No caso de Akatsuki no Yona, o mangá sai na revista Hana to Yume voltado para meninas entre 13 e 18 anos (ou seja não tão crianças assim) ,e esse tipo de argumento é comum, basta ver como mocinhas e vilãs são retratadas. A mocinha sempre pura, boa, roupas lindas e discretas, associadas a pureza, a vilã trabalhada em cores escuras, quado não feia, será sensual para associar sua sexualidade a maldade. O príncipe sempre será lindo, o vilão velho, gordo e feio.

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No caso do mangá, o trio Hak, Yona e Soo-Won são amigos de infância. Yona sempre gostou de Soon, Hak sempre gostou de Yona e Soo parece ver Yona como sua irmãzinha, e Hak como um irmão mais velho, sempre mais descolado e hábil do que ele. Soo-woon é o tipico príncipe bishounen loiro,gentil e delicado enquanto Hak é um plebeu selvagem e sem modos; mesmo tão diferentes eles se dão bem e Yona é o ímã que une o grupo. Até aqui nada de novo, e será o assassinato do rei, por Soo-won que vai mudar o rumo do trio. Eu pensei em escrever “destruir o elo”, mas isso não bate com a história. A ligação entre eles apenas toma outras direções, uma vez que tentam buscar na vivência que tiveram forças ou pistas para sobreviver e/ou saber o que o outro está sentindo. Os laços ainda estão lá, há distância, sempre tem um pensando no outro.
Como não lembrar do trio Sasha, Alone e Tenma? A diferença é que Sasha e Alone são mais assertivos e carismáticos que Yona e Soo-won. E as limitações desses últimos são as mesmas: ambos são da realeza, tiveram uma boa criação, sempre protegidos, não sabem o que é miséria. Soo-won deseja ser rei mas parece meio perdido, a única certeza que tinha era de matar o rei e vingar seu pai, agora ele tem um reino para cuidar, possíveis revoltas e a incerteza sobre se quer mesmo ver Yona e Hak mortos. Ele pode saber lutar, e não chorar rios como Yona, mas está tão despreparado para essa nova vida quanto a menina. Hak acaba se saindo melhor, sua força e rudeza mantém Yona e ele vivos, sabe para onde ir, com quem contar. Diferente dos outros, ele conhece o mundo fora dos castelos e essa é sua maior vantagem.

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Haverá um modo de redimir Soo-Won? Yona e Hak pensarão nessa possibilidade?,Soon pedirá ajuda deles para sair de sua própria situação, ou vai abraçar suas ambições de vez? Corre lá pro mangá XD.
E a pergunta que não quer calar: quando Akatsuki no Yona vem, Tia Panini? Eu não só quero, como aposto esse mangá para 2015. Quero, aposto e TORÇO MUIIIIIIIIIIIIITOO.
Tá, mas e o anime?

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Os três primeiros episódios cobriram o volume um do mangá, e ao que parece Akatsuki terá 24 episódios. Eu imaginava apenas 12, mas é aniversário da Hana to Yume, vale tudo para comemorar (e tem mesmo a revista merece, são 40 anos!). O sempre bem humorado (sqn) Moesucks (quando ficar velha ficarei daquele jeito) disse que tantos flashbacks em três episódios deixam a história lenta demais para um anime de 2 cour. Eu discordo. Se fosse 1 cour eu concordaria, mas é um desenvolvimento aceitável dentro de 24 episódios. O anime está FIDELÍSSIMO ao mangá. O Hak ficou lindo! Não mudou nada em relação ao mangá mas eu gostei demais s2 .

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Agora, um dos grandes trunfos do mangá é o cabelo de Yona e sua relação com ele. Eu esperava mais do cabelo da Yona. A paleta de cores me decepcionou um pouco, Yona tem o cabelo vermelho carmessin ou sangue. Ela tá lindinha, mas vou demorar pra me acostumar com esse cabelo cor de framboesa XD. E Soo-Won, bem…na minha cabeça Soon não era tão Yukito, mas ao reler atentamente o volume um, será que não fui eu que me iludi? Porque sério eu nunca imaginei o Soo-won de vozinha fina, e na cena em que fala do aniverário de Yona ele ficou meio afeminado, mas acho que a produção captou a intenção da autora melhor do que eu. Aliás as fujoshis terão material de sobra com esse anime, ainda mais se um certo diálogo entre Hak e Soo for parar no anime e com certeza vai, haha.
Da abertura eu só gostei da musiquinha. E como alguém sabiamente reclamou, ela spoilou o anime todo! Chateada…ok, ela dá um clima fantasioso e épico que pede o anime, mas o resto em si…e olha que eu adoro essas aberturas onde aparecem um por um com suas habilidades, mas ficou repetitivo, e entregou demais. O enredo é um prato cheio para soltar a imaginação de quem curte fantasia, mais o traço lindo, basta ver as capas. Faltou ousadia. O encerramento é bem simples, calmo. Curti.

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O primeiro episódio abre com Yona e sua comitiva e ela vai narrando os eventos que a levaram até aquele momento. No final do segundo episódio, a cena retorna e Yona jura vingar sua família e lutar pelo reino de Kouka. Essa sequência de cenas não está no volume um, mas gostei de terem colocado no anime. Gera expectativa para quem assiste, até porque ninguém hoje em dia tem muita paciência para heroínas chorosas e que precisam ser salvas. Então ao botar Yona em batalha em um esperado momento futuro nos dá uma amostra do seu amadurecimento e motiva quem assiste a continuar acompanhando.
A cena que Yona flagra Soo-Won matando o rei poderia ser um pouquinho mais chocante, porém tem a porra da censura que vai brochar muitas cenas de ação. Akatsuki não é um mangá sanguinário, lógico, só que voltamos a lógica de subestimar a inocência do público. E sobre a sequência, apesar de ficar em constante negação sobre o que viu, Yona não foi besta e ao invés de ficar parada enquanto Soo-Won se aproxima para matá-la ela corre. É a única vez que ela tentar salvar a própria vida, a partir daí ela entra um estado de , se entrega ao nada. Hak se preocupa com o fato dela estar na sujeira, passando adversidades, mas Yona está tão em OFF, que nada daquilo a incomoda. Para uma princesa mimada a gente até poderia esperar que não conseguisse comer ou dormir no mato, demonstrasse desconforto ou até reclamasse um pouco com Hak, mas a verdade é que Yona está ferida demais por dentro para saber onde está. Na cena em que sanguessugas sobem em sua perna e Hak a vê nua, ela sequer reage com vergonha ou raiva. Aliás que clichêzinho flagrar a mocinha nua sem querer XD. Um exemplo do estado de negação de Yona é sua ligação emocional com a presilha que Soo-Won lhe deu. O cara acabou de matar o pai dela, tentou matá-la, ela deveria ter um mínimo de desprezo por ele, a gente até se irrita um pouco com esse apego, mas a presilha é a ilusão de que nada mudou e que dá o mínimo de forças para Yona viver, e Hak sabe disso; ainda que se magoe, por isso ele devolve a ela. E fica a pergunta: porque Hak não jogou a porra da presilha fora? Ele não disse a Yona que havia achado, a coisa tava dada como perdida, ele não ligava, mas porque guardou consigo? Ele não ficaria com nada que fosse de Yona, sabendo que foi dada pelo seu rival, então porquê? Será que inconscientemente ele sabia que aquilo daria alguma força a Yona, ou foi furo da mangaká,mesmo? Eu prefiro explicações existenciais filosóficas! Quero uma!

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Outra coisinha sobre o flashback de Hak no episódio três: Tae-jun, o pretendente tarado e insistente de Yona. Ok, ele é um importante nobre, filho de general, tecnicamente pode fazer o que quiser, Yona é princesa o que não faltariam eram pretendentes.Mas, o carinha não pode sair agarrando a garota daquele jeito, afinal ela não é uma serva qualquer*. Ela é a princesa, ou seja está em uma posição de autoridade maior, o panaca do pai dela já não deveria ter dado um chega pra lá no cara? Nem pra isso o caralho do rei serve! (sorry não gosto do pai dela).

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*e calma gente não tô dizendo que servas mereçam ser assediadas, please! Estou analisando o ponto de vista social, que na prática nunca que mesmo um nobre teria liberdade para agarrar a princesa do reino sem correr o risco de uma punição. Autoridade nenhuma deveria dar o direito de ninguém assediar ninguém, mas a gente sabe a merda que a vida é*

Mas o objetivo do episódio é destacar a relação do Hak com a menina, e os sentimentos dele ficaram mais nítidos no anime ao meu ver, ou pelo menos meu coraçãozinho ficou mais comovido com as reações dele no que diz respeito à Yona. Devo repetir que Hak ficou perfeito, e sua devoção, honradez e mesmo a ambiguidade de sua posição amigo/servo de Yona e Soo-won foram muito bem transportadas para o anime. Eu demorei a gostar dele no mangá, mas no anime ele tá destoando dos outros e é facil demais empatizar com ele. Esse três episódios foram todos dele, e uma coisa que eu não gosto no mangá é de certas atitudes saidinhas de Hak com Yona, pós-volume um, que podem ser bobas, entretanto desnecessárias. Eu acho que a autora tentou forçar um fanservice ou qualquer coisa do tipo e ficou uÓ, quero ver como vai sair no anime.

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Eu queria ser do tipo que assiste o anime quando sai, mas é impossível! Baixei o episódio um e demorei a vida para poder assistir, o dois e o três idem. E assistir cansada ou com pressa não dá, aliás foi com esse espírito que vi o episódio um e não deu muito certo.
Quem quiser dar uma olhadinha no mangá corre por site da Toshi wa Yume que eles estão traduzindo! E morrendo de orgulho também.
Akatsuki no Yona é o que eu falei lá em cima (e falhei miseravelmente em dissecar XD): uma tortinha de clichês, mas é encantador acompanhar a caminhada de Yona, eu nem lembro quando me apaixonei, mas o anime e as agruras para terminar o texto só aumentaram meu carinho pela série que chegou ao volume 15. E pedindo mais uma vez que o mangá chegue logo no Brasil! A gente tá carente de shoujos!

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