Barakamon: seja sempre você, mas não seja o mesmo para sempre.

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Quando eu penso em Barakamon, eu penso naquele título do Gabriel, O Pensador. Acho que define muito.

O principal motivo que me fez querer assistir Barakamon atende pelo nome de Daisuke Ono. Eu amo demais esse dublador, ou seyyuu para os chatos hehe. Pensando bem, ele foi o único motivo que me levou a essa pequena maravilha de anime. Ano passado acho que foi o único que assisti inteiro, sem pausas, e prometi que em 2015 assistiria mais animes. Bom, até agora só tem um na conta (o outro maravilhoso Gekkan Shoujo Nozaki-kun). Akatsuki no Yona, o carro-chefe desse blog, campeão absoluto de visitas tá parado há um tempão e o anime já vai acabar e eu tô na deprê por não escrito mais nada sobre ele. Barakamon tava rascunhado há muito tempo, eu enrolei e quase desisti, só que não quero passar pelo mesma angústia que fiquei com Akatsuki e decidi que não poderia deixar o anime sem um post. Não quando ele ganhou coração, não mesmo.

Em Barakamon  acompanhamos o trabalho de um charmoso calígrafo chamado Handa Seishu . Ele está em meio a uma crise em seu trabalho: após ter sua caligrafia criticada por um curador durante uma exposição e agredir o velho, é forçado a se mudar para uma pequena cidade do interior do interior pelas bandas das Ilhas Gotou. A ida lá é uma espécie de castigo e recomeço para ele refletir sobre seu trabalho.  Logo de cara, ele realiza que está no meio do nada, mas sua presença não passa despercebida pelos moradores da cidadezinha. Como é raro alguém se mudar para lá, logo o jovem rapaz vira o centro das atenções dos moradores, o que não era bem o que ele queria, afinal seu exílio era para ter sossego e reflexão. Handa deseja calma e privacidade em sua casa para poder se concentrar em suas caligrafias e exorcizar seu pequeno desastre com o velho. Claro que as coisas não serão assim, começando pela sua nova casa que deveria estar vazia, mas parece muito bem habitada por outras pessoas. A principal figura a perambular por lá é a pequena Naru que faz da casa do calígrafo sua base secreta para brincar . A presença da criança e de mais duas colegiais irrita Handa, só que ele percebe que expulsar as criaturas de lá não será tarefa fácil.

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Hoje em dia qualquer anime com a temática homem adulto interagindo com uma criancinha já lembra logo Usagi Drop, não que este tenha inventado a roda, claro, mas Usagi Drop é tão amor que a gente lembra sem querer. Só que Barakamon é uma comédia rasgada, com toques comoventes, é sobre Handa, um jovem artista tentando se descobrir. Usagi segue mais a linha fofura e dramas familiares. Os dois são ótimos, mas me identifiquei mais com Barakamon, principalmente com o jeito de Handa. Naru é um átomo sapeca de ideias e é tão criança que é impossível não se derreter por ela. Hina é sua amiguinha tímida e chorona, igualmente fofa.

Gostei de cara  de Handa, primeiro por causa do Fator Daisuke Ono, segundo porque ele é aquele protagonista que consegue nos representar na história. Ficamos tão incomodados ou curiosos com os modos e gostos daquela gente como ele. E vamos os acostumando e crescendo junto dele também. E eu também na vida, já tive um celular que só servia como despertador, hehe. Handa é muito bem tratado pelos moradores, a começar pelo chefe do vilarejo, Yujiro que o ajuda a se instalar na cidade, e é meio que seu guia e guardião. A família dele é composta por sua esposa e filho. A esposa do prefeito por ter um marido que ignora o que ela faz e um filho crescido não tem muito o que fazer na vida e vê em Handa a oportunidade de voltar a sentir útil, fazendo comida para ele.  Já o filho, Hiro está estudando para o vestibular, é um aluno médio que queria ser melhor nos estudos e deseja no futuro deixar a ilha. Ele não gosta da ideia de ver sua famíia tomando conta de um cabra adulto da cidade, mas a dedicação e frustação de Handa nas caligrafias o comove, sem contar que Handa é um desastre na cozinha e não conseguiria sobreviver sozinho. Mesmo sendo um um aluno finalista, Hiro tem seu lado crianção, vide o episódio onde ele deveria ajudar Handa a cuidar das crianças na praia, mas acaba sendo mais uma no meio delas.

A dupla de colegiais inconvenientes que usam a casa de Handa são Miwa e Tama. Miwa é bem molecona, cheia de energia e é grande  influência para Naru. Ela é mais inconsequente que Hiro, mas ambos os adolescentes meio que tem todo um cuidado com Handa, porque percebem o quão emocionalmente dramático ele pode ser. Tama é aquela  típica menina quieta dos livros e deseja ser mangaká, e foi graças a ela que me ri feito uma doida no terceiro episódio e decidi que já amava o anime. Apesar do sonho, ela tem vergonha que os outros descubram, afinal em uma cidadezinha pacata uma otaku não seria bem vista. Mas o pior de tudo é que ela tem medo que descubram que ela é uma fujoshi enrustida! Ela faz mangas shounen que são bem violentos e grotescos demais para um público jovem, ainda que ela ache tudo aquilo o máximo. Junto de Handa é minha personagem favorita. Para alimentar seu lado fujoshi ela sempre tenta pescar algo suspeito entre Handa e Hiro, o que é muito divertido. Tama tem um irmãozinho chamado Akki que é tão quieto quanto ela, mas apesar da aparência frágil, ele é bom nos esportes e popular entre as crianças.

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Na cidade, temos Kawafuji, o  melhor amigo de Handa (Hiro fica passado ao saber que Handa tem amigos!) e quem administra sua carreira de caligrafo. Preocupado com Handa, ele resolve visitá-lo, e ao chegar é levado pelos moradores, pois acham que o coitado é algum tarado. Kawafuji  leva junto Kousuke, um calígrafo de 18 anos, rival e admirador de Handa. O menino segue todos os passos do ídolo, mas acaba tirando o primeiro lugar dele em uma competição (deixando Handa deprimido), o que o faz achar que Handa não está se esforçando o bastante. Eu fiquei com pena do bichinho quando ele diz para Hiro que vai comprar uma lembrancinha para si próprio, uma vez que  não tem amigos 😦

Nunca na vida que eu tinha prestado atenção na profissão de calígrafo. A arte do shodo é coisa séria, gente, e dando uma googlada por aí eu pude entender um pouco o Handa. Imagino que para quem não é da área pode parecer um monte de rabisco feio e sem  sentido, só que a caligrafia, assim como um quadro ou uma fotografia, sempre passa alguma mensagem, um sentimento, sentimento este que deve cativar quem o aprecia. Assim como deve ter personalidade o suficiente para você bater de cara e saber que só pode ter sido obra de fulano. Um tempinho aí quando eu tentei aprender hiragana, kanjis e afins, eu vi que tinha uma ordem para fazer os traços e achava mó bobagem, mas não é não. Começar a fazer um caractere por uma ordem diferente pode resultar em outro kanji, de tão detalhista e delicada que a arte é. Handa busca dar alma a sua caligrafia, pois não basta ter técnica, tem que ter vida. E isso depende de inspiração. Essa é a parte mais complicada para quem é profissional, pois essas coisas não saem simplesmente do nada. Handa lamenta que passa dias a fio brincando com crianças, o dia acaba e ele não fez nada, a inspiração não vem. Aquele momento específico onde a mágica acontece. E é frustante quando não vem. Ele recebe um bonito conselho de uma das senhoras locais: o seu problema é olhar para cima sempre, desse jeito você nunca vai conseguir alcançar, mas procure olhar para perto de si, e uma hora você consegue. É por aí mesmo.

Eu cheguei a dar uma olhada rápida nos primeiros volumes do mangá, mas confesso que por hora prefiro reassistir o anime até não querer mais. Barakamon é sobre ser um adulto com uma profissão, mas ainda se sentir perdido, mesmo vivendo aquilo que gosta. Handa sempre foi um gênio isolado, marcado de perto pelos pais e sem muitas habilidades sociais. Na cidade ele pode até ser mais um buscando um lugar ao sol, talvez por isso ele tenha dificuldade para entender o falta na sua arte, mas sozinho e quase uma celebridade no interior, ele é livre para se confrontar com quem realmente é. Tem que sair de um turbilhão, para refletir melhor sobre si. Ele sequer sabia que era alérgico a gatos, mesmo adorando os bichinhos e eu amo essa cena hehe. Aliás, óbvio que me lembrei do Sebastian quando vi que Handa também se derretia todo por bichanos s2

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Os cenários de Barakamon são lindos, as paisagens, principalmente aquela água linda, tão viva, tudo é bem paradisíaco, dá até vontade de morar naquela ilha, junto daquela criançada toda. Como o mangá ainda está em andamento, o anime termina sem mega resoluções, mas ainda assim bate aquela angústia perto do fim. Despretencioso, mas com um roteiro seguro, Barakamon foi uma ótima surpresa. Ele passou bem despercebido por mim quando estava sendo lançado, só que nada como uma stalkeada no Daisuki Ono para conhecer coisas novas e inesquecíveis.

Para quem busca diversão garantida é o anime perfeito. Nada de humor escatológico, de mau gosto ou fanservices, sim é possível comédia sem esses elementos. E gente, não parece mas Barakamon é um shounen mangá; passando por outros sites vi que ele é colocado como seinen, e poderia muito bem ser um, mas sai em revista shounen, é shounen. É importante lembrar que as editoras conhecem seu público melhor do que nós e nossos achismos, ok? É engraçado como tem gente que bate o pé e decide por si só o que é shoujo, shounen, seinen ou josei, porém devemos ter maturidade nessas horas. Ser shounen não é nenhum demérito de Barakamon (tem gente que até hoje diz que Death Note é seinen ), então get over. E pode não ser seinen, mas o manga também sai na revista shoujo da Square (tal qual Gekkan Shoujo Nozaki-kun) E antes que eu me esqueça, as músicas de abertura e encerramento são uma beleza a parte. Lindas, carismáticas e dependendo do quanto você se identificar com Handa, emocionantes. Uma delas conseguiu derrubar a Becca do toque do meu celular após anos. Se você é um jovem adulto e está naquele momento o que estou fazendo da minha vida? Preciso me reinventar, o anime também é pra você. Aliás, principalmente para você.

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2 respostas em “Barakamon: seja sempre você, mas não seja o mesmo para sempre.

    • Oi, Jéssica, obrigada por comentar! E já corri pra ler seus textos. Depois passo com mais calma pra comentar. E sim, ser capaz de se esforçar é o melhor talento de todos, gosto muito de Barakamon.

      Curtido por 1 pessoa

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