Mulheres em Arrow : onde falta agência, sobra sororidade.

Sim, o texto está uma bagunça, ele parece contraditório, e sim, deveriam ser dois posts separados, só que eu quero desse jeito e pronto. #Maturidade

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Eu queria ter deixado este post só para o final da temporada, que está próximo, mas não consegui me conter, precisava muito colocar em linhas algumas rápidas observações sobre Arrow feat.Mulheres. Uma coisa que eu percebo é que os produtores confiam na força das mulheres da série, ao mesmo tempo em que as subestimam. Tipo, eu sei que elas são assertivas, inteligentes, mas deixa que os machinhos resolvam as coisas, e de preferência vamos colocar elas para serem salvas.

A série está errando feio no quesito agência feminina, afinal qual o problema em lidar com a autonomia das mulheres em momentos difíceis? Há duas situações chatas que se repetem: ou as mulheres esperam os homens tomarem as decisões para poderem agir, ou agem sozinhas e sempre, sempre dá merda. E logo em um momento onde a série está perfeita no quesito sisterhood. Principalmente com as baixas que a nova Canário tem mostrado. Interessante é que durante a ausência do personagem masculino mais importante da série, Laurel conseguiu se destacar positivamente, e mesmo se sentindo despreparada foi o incentivo de Felicity que lhe deu coragem para não desanimar e as duas decidiram que não poderiam ficar de braços cruzados enquanto Brick atormentava a cidade. Paralelo a isso, para ajudar a enfrentar a gangue, vemos Roy recrutando Sin, A Maravilhosa, para a luta. Ela não faz feio. Oliver volta e além de roubar o protagonismo de quem realmente lutou, ele (e o próprio roteiro) coloca Laurel no seu devido lugar (para escanteio) já que ela sempre atrapalha. Sin também some. E aí eu não entendo: quando o momento pede, Laurel é útil, quando o herói retorna, ela volta a ser a mascarada desastrada de sempre. Me parece muito com aquele dinâmica de recrutar mulheres para trabalhos masculinos durante a guerra, e quando a guerra acaba, elas são chutadas de seus cargos para que os homens possam retomar seus lugares. De você podem!, vira um ah, era só uma necessidade, não precisamos mais de vocês e nunca precisamos.

Isso é muito injusto e contraditório, ainda mais com Laurel que está tendo um desenvolvimento irregular: seu mentor é ninguém menos que Pantera, sabe porra é o Pantera, aquele cara fodão que treinou a Mulher-Gato e o Batman. E me arrumam um moleque que não convence. Se Laurel ainda tem falhas, muito se deve ao seu mentor também, o que já um furo enorme dada a importância do personagem. Além de mal treinada, ela acaba entrando em uma obsessão irracional para vingar a irmã. E dá-lhe cenas onde Oliver é grosseiro e vomita omiexplicanismo para ela. Roy é mais novo que Laurel, mas ele pode ser vigilante né? E em pouquíssimo tempo sendo treinado por Oliver ele não faz feio. Porque Laurel é tão falha? Ah mas ela é só uma advogada mimada mimimi. Negativo, ela já sabia lutar, na primeira temporada onde a personagem é bem promissora, ela mostra suas habilidades duas vezes, em uma delas salva Tommy e Oliver. Na outra, derruba um monte de capangas antes de ser atingida pelo vilão da semana. Bandidos bem treinados sabe? Então, ela começa a treinar com um cara que deveria ser muito fodão, e o resultado é esse festival de fiasco? Em algum lugar do mundo isso não é machismo? Se acham que botar a personagem para baixo para depois, sabe-se lá quando, ela dar um salto positivo é algo inteligente me poupem. E porque diabos Laurel vive na Arrow-Cave? Ela também tem seus contatos, trabalha na Promotoria, autonomia pra quê, né?

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Sem contar que a sede cega por vingança não é apenas cortesia de Laurel. Thea e Nyssa também são envenenadas pela ideia de arrancar as tripas do Malcom não importa como farão isso. E suas ações a nível de sempre trazem mais complicações e sofrimento para culpados ou inocentes, e de certa forma prejudica as próprias, ainda que nem assim, elas percebam seus erros. Thea parece que quanto mais se envolve nos segredos de Oliver e Malcom mais perdida fica , ela não soma, não ajuda, e fez muita besteira ao entregar o pai para a Liga, sem pensar que poderia haver consequências para Oliver; a sorte do Arqueiro é que Ra´s ficou mais impressionado com a força e a honradez dele do que se ofender com a mentira contada. Eu não acho que Thea precise, sei lá, ter um arco super fodão ou coisa do tipo, mas envolver tanto a menina na história sem um objetivo claro é inútil. Antes ela continuar sem saber nada. E outra: Arrow está somente na terceira temporada e todas as pessoas importantes da vida de Oliver já sabem sua identidade, assim a coisa perde a graça.

Certo, mas uma coisa que Arrow nunca falhou (mas também nunca foi perfeito) em três temporadas e nesta está mais do que bombando é no quesito sororidade feminina. A tal sisterhood. Mesmo no meio de tanta lambança, há várias e várias cenas entre as mulheres, falando sobre várias coisas, não apenas sobre Oliver. Aliás, mesmo quando o assunto é o Arqueiro os diálogos não tem ciúmes ou rivalidades. Eu não vi uma cena nessa terceira temporada de picuinhas por causa de homem. Lá no mini-arco da suposta morte do Oliver, vemos Felicity em estado de negação, sofrida e tem uma cena rápida e linda, onde Laurel se identifica com ela, com o sofrimento que um dia teve, e lhe tranquiliza. Felicity retribui indo procura-la, não para falar sobre Oliver, mas para perguntar como ela está. Há uma relação de respeito e confiança entre as duas que eu tenho medo que o futuro estrague, afinal acredito que um dia ainda tentarão retomar o romance entre Oliver e Laurel que para mim já deu antes de começar. E se as mulheres não estão falando de romance é porque isso cabe a Oliver e Diggle conversarem 🙂

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Outra relação meio deixada de lado na temporada passada e retomada nesta é a amizade entre Laurel e Thea. Eu juro que nem lembrava mais o quanto elas eram próximas e foi a armação tosca de Malcom que uniu as duas novamente. Laurel sempre viu muito do espírito encrequeiro de Sara em Thea, por isso a defendia de suas besteiras (na época em que eu queria mais é que Thea se fodesse na prisão para parar de fazer merda hehe). Thea , aliás, está emputecida e com toda razão ao saber que Malcom a fez matar Sara. Certo, como já dito, foi uma grande besteira ela ter dito a verdade para a Liga, e mais uma vez a ideia de vingança a faz perder totalmente a noção das coisas. Mas o desenvolvimento dessa cagada toda dá a entender que Thea está exagerando em odiar o pai, e segundo que Malcom fez algo perdoável a nível de pouco tempo. Eu adoro o Malcom, mas essa humanização dele em detrimento de Laurel, Thea e Nyssa é uma grande falha. No final das contas a gente fica com pena do Malcom, tadinho, enquanto temos três mulheres irracionais passando por cima de qualquer tentativa de diálogo ou o mínimo de inteligência para atingirem seus objetivos.

Uma coisa que eu tô sentindo cheiro de fuga é a insistência de Nyssa e a negação indireta de Ra´s sobre a sexualidade da mesma. Seria mais corajoso abordarem a questão da lesbofobia na série ao invés de fingirem que tá tudo de boa. Dá a impressão de que Nyssa é uma exagerada que fica forçando a tecla de que o pai a discrimina. Perderam aí uma ótima oportunidade de celebrar a diversidade, mas fica tudo em um terreno silencioso. Sem contar que Nyssa é uma mulher, que está vendo um homem estrangeiro ser escolhido por seu pai para assumir a Liga. Mas ela e Laurel acabam se unindo por causa de Sara e sim, agora acertaram a coisa: Nyssa deverá ser a nova mentora de Laurel. Eu gosto das cenas das duas juntas, o assunto quase sempre é Sara, mas também sobre traumas e sobrevivência, no inicio Nyssa não via muito futuro em Laurel, só que com o tempo passou a reconhecer sua força.

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Resumindo, o trio Laurel-Thea-Nyssa trocam segredos, sentimentos e cumplicidades, o que é um ponto positivo. Sem contar que não, elas não obedecem as ordens de Oliver, elas confiam mais umas nas outras do que nele ou Malcom e preferem decidir entre si sobre os muito segredos que rondam suas vidas. Outro ponto positivo, sororidade total. O problema está na forma de agir: suas ações sempre desencadeiam crises enormes e cabe aos homens limparem a besteira. Aí nesse quesito, agência feminina o barco afunda, porque se não seguirem direitinho as ordens do Arqueiro, deixam tudo pior e dá-lhe esculhambações por parte do herói. E não falei sobre Felicity porque, apesar da choradeira ter tomado conta da personagem, ela é obediente ao Arqueiro e por isso não lasca tudo como as outras. Apenas reparem. Mulher obediente porém com DR irritantes, outro ponto negativo. Cabou texto, e apesar das coisas não andarem boas em Arrow em alguns quesitos feministas seria injusto dizer que tá tudo feio, vamos ver como a temporada finaliza, e em breve, eu entrego um texto sobre as duas Canários, mas por enquanto deixa quieto. É isso, povo, byes!

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