Serena: Jennifer Lawrence é uma mulher de negócios, esposa e louca.

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Olha, Serena enrolou tanto para sair que eu já havia desistido do filme. É difícil encontrar uma sinopse decente, pois cada uma tem um aspecto diferente quando não equivocado das coisas e sou uma criatura pior ainda que prefere copiar e colar, pois mais fácil, mas achei esse resumo mais decente:

Em 1929 George Pemberton (Bradley Cooper) e Serena Pemberton (Jennifer Lawrence) decidem ir de Boston à Carolina do Norte no intuito de construir um império no ramo da madeira. Ao descobrir que é infértil, Serena começa a manifestar sentimentos de vingança contra a mulher com quem George teve um filho ilegítimo antes de se casar. Ela suspeita cada vez mais da relação do marido com esta outra família e a intensa união dos dois começa a se destruir. by Adoro Cinema

Pelas sinopses eu pensava que Serena e George já iriam começar o filme casados e indo morar lá nos fins do mundo. Mas não, o filme abre com o personagem de Bradley Cooper e o seu desejo de encontrar uma pantera, falo mais nada, e depois ele vai até a cidade e conhece Serena. A sequência do encontro e o casamento são muito superficiais, e seria melhor que fossem cortadas já que foram muito mal trabalhadas. Olha só a situação: Serena está cavalgando sozinha, George chega com seu cavalo e literalmente começa a perseguir a menina, ela pára e olha meio assustada e surpresa e pergunta o que o estranho quer. Em menos de alguns segundos, ele fala que só queria dar um oi e que os dois deviam se casar. Pá, corta para os pombinhos chegando na estação e George apresentando Serena ao seu empregado. Juro, a sequência foi mais rápida e vazia que esses linhas que cês acabaram de ler. O tempo todo eu tive a impressão que para a diretora Susanne Bier, o trunfo do filme seria a química entre J-Law e B-Cooper, são várias as cenas românticas e fofinhas e sensuais entre os dois, mas o problema é que elas não me convencem de jeito nenhum. Não acho que os dois interajam bem como um casal apaixonado, mas muita gente gosta.

Ok, quem não se apaixonaria?

Ok, quem não se apaixonaria?

Agora, desde a produção eu impliquei com Jennifer no papel de esposa, porque jurava que ela não iria convencer com jovem esposa, igual Rosalind de Trapaça. Eu adoro a Rosalid, mas ela é muito forçada. Quebrei a cara, sim, Jennifer é a jovem mocinha orfã que se encanta por um madereiro ambicioso, mas de menininha não tem nada. Ela se sai muito bem no papel e eu acho maravilhoso como Jennifer Lawrence consegue ser uma em cada filme. Serena nem de longe lembra Katniss ou a recente Rosalind e olha que Serena e Rosalind são duas jovens esposas pertubadas, mas nem dá para comparar, são diferentes demais.  O que eu gostei em Serena é que ela é aquele personagem feminina competente sem ser exageradamente bad-ass ou grossa só pra provar que é melhor do que os homens. Ela sabe que como mulher tem que provar seu valor, mas o faz sem ficar aquele clima de sou melhor que vocês omis. Só um detalhezinho besta: não pude deixar de reparar que as unhas de Serena estavam sempre bem feitas, pra quem não medo de pegar em um machado ficou estranho.

Do ponto de vista feminista, Serena não passa nem no Bechdel Test. A única personagem com nome é a própria e embora Serena seja uma mulher incrível e com faro para os negócios, o mundo é feito de homens e mulheres, e não de uma mulher só lidando com vários homens. O ambiente one o filme se passa é bem masculino, mas há umas poucas mulheres, poderiam ter feito um esforço para destacar uma pelo menos para interagir de forma decente com Serena. Irritante over é o tratamento que o filme dá  a mãe do filho de George, o nome da mulher é citado? Eu não lembro…Ela nunca é chamada pelo nome e passa  a maio parte do tempo calada, trocando olhares de desconfiança com Serena. O caso dela com George nem uma cena explícita tem. Ela aparece sorrindo com uma bandeja na mão e logo depois, aparece grávida. Simples. Desenvolver relações não era bem a intenção de Bier, eu acho. Ela não  é uma mulher, é necessária apenas por causa da criança. Outra coisa, é que claro, George é o pai amoroso que faz tudo pelo filho, enquanto Serena é a louca vingativa. É bonitinho ele zelar pela criança? Sim, mas temos que nos lembrar que isso é mais do que a OBRIGAÇÃO dele como pai e George não merece estrelinhas por estar, BOMBA, sustentando o próprio filho.

<3 <3 <3

❤ ❤ ❤

Seria estranho dizer que escrevi esse texto e nada de concluir se gostei ou não do filme? Só o tempo dirá,  não é aquele tipo de filme que eu A-D-O-R-E-I e quis ver de novo e de novo e de novo. Mas também não é aquele tipo de obra que eu penso> ai que lixo! perda de tempo total! Como já falei 183373 vezes, tenho graves problemas de concentração, sou do tipo que enrola para ler coisas novas ou que durante um filme, eu pauso e saio andando, depois volto. Serena já tem o mérito de ter prendido a minha atenção, até porque é um filme curto e principalmente, eu ainda não cansei de J-Law. Sem ela, eu jamais iria assistir um filme que passou meio discretamente, uma vez que Bradley Cooper não me atrai em nada e nunca tinha ouvido falar do livro antes de conhecer o filme.

Eu li spoilers do livro e fiquei desanimada com as mudanças que Susanne Bier fez. Mas estou de olho na diretora, afinal de contas, ela está na produção do seriado The Night Manager, inspirado no livro de John Lé Carré (gente, o Jardineiro Fiel!) e que tem ninguém menos que Tom Hiddleston feat.Hugh Laurie na linha de frente, com as bençãos da BBC e da AMC. O hype tá uma loucura. Preciso ler o livro e preciso dessa minissérie para ontem e não só para 2016. E como se fosse pouco, a mulher vai fazer um filme sobre Maria, a famosa rainha da Escócia, com a super talentosa Saoirse Ronan no papel principal. Socorro! E sim, estou devendo assistir ‘In a Better World’.

Só para explicar melhor aqui, alguns spoilers do livro e do final do filme (evite esse trecho se ainda não viu o filme/livro):

Como fica óbvio na sinopse do filme, Serena enlouquece e ensandecida, manda seu capanga matar a criança de George. Ele falha, e George deixa Serena (não sem antes tentar matá-la). Sabe a pantera que eu citei lá em cima? Sim, ele a encontra, ela o encontra, e ambos se matam. Serena fica sozinha na casa que pega fogo e ela se deixa levar pelas chamas. Fim. Mas o que me pegou é que no livro, George morre, mas Serena fica vivíssima e como mulher de negócios competente, segue a vida e fica famosa por seu trabalho na madereira. Não sei bem os detalhes, mas no final, o filho de George já crescido, se vinga dela e a mata. Não é um final feminista, só que reduzir Serena no filme a louca de amor que desiste de tudo após a morte de George é pior ainda. A personagem é ambiciosa e orgulhosa e fiquei meio puta de Susanne Bier ter enrolando tanto para mudar a história desse jeito. Chateada mesmo. Podia pelo menos manter a personagem pós luto, continuando os negócios e pronto, fim. Mas deixa pra lá… 😦 Em defesa da diretora, acredito que ela fez uma esforço para diluir a crueldade de Serena e torná-la menos ou nada odiosa, já que os leitores são unânimes em destacar o caráter ruim da protagonista. Aí, só lendo mesmo para concordar ou não.

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Serena é aquele tipo de filme que o final já vem na sua sinopse, afinal os planos de Serena se livrar da criança só tomam os minutos finais. A loucura muito anunciada da personagem só afloram na reta final também, antes disso não há nenhum indício de que a orfã pode vir a desenvolver alguma psicose. Até a metade, Serena é mais um filme sobre negócios e um casal bonitinho do que sobre mistérios e loucura. Esperava mais do filme, não de Jennifer Lawrence que amo e está perfeita. É isso povo, byes.

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