Segunda chance: Nikolaj Coster-Waldau vive o drama de um pai coruja

Filme segunda chance MaDame Lumiere Cinema Susanne Bier 5

(titulo medonho, mas estou com a virose da seleção, me deixa! )

Sim, é o segundo drama de Susanne Bier comentado aqui no blog e não, dessa vez ainda não é Em um mundo melhor. O novo filme dinamarquês daquela diretora que decidi ficar de olho foi boa surpresa para mim, gostei muito mais do que de Serena, que é apenas ok, já Segunda chance dá margens para pensar em algumas questões, dilemas. E claro, só pela presença de Nikolaj Coster-Waldau (O Jamie de GOT) já vale a pena, gente, que homem! segura a fangirl dentro de mim. Algumas críticas que li sobre o filme me pareceram um pouco impacientes com o estilo da diretora, eu também me incomodo com alguns recursos que ela usa, mas sei lá, já vi muito filme mais superficial ou forçado sendo ovacionado por aí. Segunda Chance não é ok, é ótimo e pronto.

Andreas é um policial honesto, gente boa, no melhor estilo pai de família. Ele é casado com Anne (Maria Bonnevie) aparentemente depressiva, mas ok são felizes e levam uma vida tranquila e eles têm um filhinho de oito meses chamado Alexander. A ‘novidade’ óbvioooooooo afeta bastante a rotina do casal e como a história é focada em Andreas temos várias cenas de afeto entre ele e a criança. Andreas é um pai muito zeloso e apaixonado pelo bebê. Do tipo que levanta de madrugada para passear de carro com o filhinho, que só dorme após sua ‘volta noturna’.

O filme começa com Andreas e seu parceiro/amigo Simon (Ulrich Thomsen) atendendo uma denúncia de violência doméstica e indo ao confronto de um já conhecido delinquente: Tristan (Nikolal Lie Kass), um viciado em drogas que tem diversas passagens na polícia por agredir mulheres. Na confusão está a namorada dele, Anne (May Andersen) que tenta inutilmente esconde algo da revista de  Andreas: ele encontra o filhinho deles, Sofus, da mesma idade de Alexander, sujo, maltratado, em meio a um ambiente violento e bagunçado. Andreas se sensibiliza com a situação da criança e reclama com a assistência social, mas nada vai para frente, e o bebê permanece com os pais em condições precárias.

Filme segunda chance MaDame Lumiere Cinema Susanne Bier 4

O filme não aprofunda muito sobre Anne, a esposa de Andreas mas fica subentendido que ela tem algum tipo de depressão mesmo antes do bebê nascer, ela fica em casa com a criança enquanto Andreas trabalha. Certa noite, ela se levanta para verificar Alexander e percebe que ele não está respirando. Ela chama por Andreas, ele a manda chamar a ambulância, mas já é tarde: a criança está morta. Anne fica desolada e se recusa se separar do filho, ameaça se matar caso  Andreas busque por socorro. Ele lhe dá remédios para dormir e sai com o bebê morto a caminho de um hospital.

Ao chegar no destino, ele tem uma perigosa e desesperada ideia e desiste de procurar ajuda: Andreas retorna ao apartamento do casal problemático, encontra ambos drogados e desacordados, vai até o banheiro (que é o ‘quartinho’ da criança) e faz a troca dos bebês. Ele anuncia para a esposa, que está mais deprimida do que nunca, que seria injusto deixar Sofus naquele lugar. Já quando o casal acorda, Tristan entra em desespero e teme ser responsabilizado pela morte do filho. Já a mãe, claro, reconhece que aquele não é o seu bebê, mas o namorado não lhe dá atenção e com medo de voltar pra cadeia inventa um plano, onde cria um falso sequestro para o bebê. Por ironia do destino, o caso do sequestro cai nas mãos de Andreas e Simon.

Vou falar: gostei muito de Segunda Chance. Não estou dizendo que é brilhante, mas gostei mesmo. O filme tem apenas uma hora e meia, tem momentos que comovem, reviravoltas que te dão uma sensação miserável de impotência, e te fazem pensar, pensar, e meio que chegar a conclusão nenhuma. Desculpem, eu não deveria ter esticado a história até a parte do falso sequestro, mas ela dá uma dimensão do emaranhado de coisas que o filme oferece. Acreditem, tem mais. Aliás, foram as viradas mirabolantes em curto espaço-tempo, os exageros, é que foram os aspectos mais criticados do filme.

Segunda Chance é um filme sobre um pai, não necessariamente sobre o papel da paternidade, que era o que eu achava que seria. Não há grandes aprofundamentos ou críticas, ou mesmo questões de gênero sobre o papel paterno, é tudo sobre um pai coruja que perde o filho, e em um momento de desespero tentar abrandar sua dor e salvar uma vida. É aí nesse ponto, que a execução da história talvez não convença muito. É muito absurdo pensar que um pai-urso como Andreas simplesmente deixe o corpo do próprio filho jogado em um apartamento sujo e saia de lá com outra vida e tentando motivar a esposa a comprar a ideia. A cena dele sujando o seu bebê para se passar pelo outro, poderia pelo menos ter durado mais. Eu fiquei boa parte do filme tipo: ‘mas como ele teve coragem de deixar o filhinho lá?’.

segundachance_interrogatorio

Andreas (tirando a parte absurda de dirigir com os bebês no banco da frente!) é um pai dedicado, e não vamos negar que é algo que chama a atenção, seja na ficção, seja na vida real. Mulheres sempre se lascam de tudo que é jeito para criar os filhos, mas ainda assim, a maternidade vem com cobranças e críticas. Mulher trocando fralda do filho é normal, homem trocando a fralda do filho, chuva de confetes, que ser maravilhoso de outro mundo! Que homens são bastante negligentes na criação os filhos, isso não é novidade, então é muito chato quando um pai faz algo mínimo e pronto, vira um herói.

Mas eu não serei radical de achar ruim, um filme que tenha um pai zeloso como protagonista. Vamos lá, até EU queria ter filhos se tivesse um Andreas na minha vida! E se o filme motivar os homens a serem um pouquinho mais como o policial, porque eu acharia ruim? Em meio a tantos filmes que reforçam a ideia de que casamento é game over, que a mulher é a chata que vai ficar no pé do marido para ele ‘ajudar’ a cuidar da família, Segunda Chance é mais do que bem-vindo. Não é um filme que glorifica o homem que é pai, nada disso, é um drama honesto, tenso e imagino que pra quem tem filho pequeno deve doer mais ainda assistir.

segunda chance 2

Mas assim como não aceito Andreas deixar o filho e criar outro, assim, no automático, eu acho muito estranho que sua esposa fique sozinha com a criança o dia inteiro, quando se é obvio que ela é mentalmente instável. Ela também não protesta com o fato do corpo do seu bebê ter sido largado por aí, apesar da morte de Alexander trazer a tona (ou retornar) todo o seu desequilíbrio. Sobre o outro casal, Tristan é um bandido sem salvação nenhuma, enquanto que Sanne é sua vítima, e leva uma existência miserável com ele. Sim, ela ouve algumas frases clichês do tipo: “pra quê foi ter um filho desse cara?”, mas a trama em si, não a vilaniza, vide o final dela.

O nome do filme é interessante, porque há várias segundas chances durante ele, as duas mais óbvias, a chance de Andreas ser pai novamente e a chance do bebê ter uma vida melhor. Bom, aparentemente Bier falha no quesito profundidade em suas obras, ao passo que pesa na crueza de seus personagens. E confesso que estou um pouquinho com preguiça para falar sobre moralidade, que seria a grande questão do filme, pra mim fica difícil questionar moralidade de personagens perturbados em maior ou menor grau, e que óbvio não parecem ter dimensão de suas ações. E eu me segurei o que pude para não escrever linhas e linhas sobre o quanto Nikolaj-Jamie é atraente, ok, ok, melhor terminar o texto agora. Enquanto isso, assistam lá o filme sobre o futuro pai de nossos filhos 🙂

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s