Jessica Jones: das páginas de ALIAS para a Netflix

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Então pessoas, enquanto Jessica Jones não vem que tal dar uma lida na série ALIAS e descobrir porque vc também deveria estar contando os dias para a estreia? Já saíram vários teasers, e adorei muito o segundo, onde tem Jessica mostrando toda sua força, bagunça e marrentice, ou seja, ao invés de ficar sentando esperando novembro chegar e pensando: quem é essa na fila do pão? para de preguiça e vem ler ALIAS, porque quando você estiver maratonando Jessica Jones doidamente, vai ficar querendo ler a série de onde ela veio certo?

ALIAS é uma série criada por Brian Michael Bendis e faz parte do selo Marvel Max que se propõe a oferecer quadrinhos com um tom mais adulto, títulos como Blade, The Pulse e Fury também fazem parte do selo. Obviamente não confundir com a série ALIAS do J.J.Abramszzz com a Jennifer Garner, um não tem nada a ver com o outro. Jessica Jones, nossa protagonista é uma ex-vingadora, outrora conhecida como Safira ou Paladina e atualmente é detetive particular em um pequeno escritório administrado por ela mesma e só. Apesar de ser reconhecida vez ou outra, Jessica não usa mais os poderes e seus motivos para ter abandonado a vida de super heroína são segredos que a série vai revelando aos poucos. Mesmo assim, sua vida continua ligada ao universo dos heróis fantasiados: ela é amiga de Carol Denvers, nossa Capitã Marvel (ainda Ms. Marvel na série), e em seus casos vai esbarrando com vingadores e mutantes e ela inicia um relacionamento com o segundo Homem-Formiga, Scott Lang (o Formiga que foi aos cinemas).

Em ALIAS, casos envolvendo mutantes são recorrentes e todos eles dialogam com a questão do preconceito com quem é diferente.  Mutantes sofrem bastante discriminação, vemos até um pastor pregando contra as abominações. Parece familiar? ALIAS lida muito com a questão do sofrimento e da rejeição que essas pessoas sofrem e a temática da aceitação é bem clara e nessas horas só consigo pensar em como é possível fã de X-men ser homofóbico? Tipo, esses não entenderam mesmo a mensagem! Mesma coisa com ALIAS, não dá para ler os quadrinhos e não entrar nada na cabeça em termos de tolerância. Porque a ponte entre as histórias (homofobia, racismo) é muito evidente.

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O primeiro caso da série não me empolgou muito (preciso reler pra ver se mudei de ideia) e envolve o Capitão América e sem saber, Jessica acaba se metendo em uma conspiração maior e acaba por receber suporte jurídico de Matt Murdock, o Demolidor. Aliás, Matt está em meio a um inferno na sua vida devido ao vazamento de sua identidade civil (cf. Demolidor V2 32-36 tbm escrito pelo Brian Michael Bendis), que ele nega e sai processando Deus e o mundo. Nesse cenário, Jessica retribui o favor e age como segurança de Matt em algumas ocasiões. O segundo caso é uma trollada muita fodida que a coitada cai. É pra querer morrer de vergonha, falo mais nada. Já o terceiro envolve uma menina supostamente mutante, e é um dos casos mais incisivos na crítica aos racistas e preconceituosos de plantão. Ah sim, tem um pequeno episódio onde J.Jonah Jameson ‘contrata’ Jéssica para desmascarar o Homem-Aranha; o jornalista quer aproveitar o hype da revelação da identidade do Demolidor para derrubar o Teioso junto.

O quarto é o meu favorito: Jessica conhece uma ‘garota-aranha’, tem dose extra de J. Jonah Jameson e Ben Urich e acima de tudo, tem Jessica Jones se encontrando com Jessica Drew, a lindíssima Mulher-aranha. E juntas elas vão ao resgate da adolescente mutante que está sofrendo abusos de um vagabundo asqueroso (originalmente Drew deveria ser a protagonista de ALIAS) Engraçado que Jones e Formiga falam que detestam versões femininas de heróis estabelecidos, e Jones cita a Mulher-Hulk, ah, mas ela é legal defende Scott se contradizendo. Ela também diz a sua xará que não gosta dos Vingadores porque eles não passam de um clube do Bolinha e a Mulher-Aranha concorda.

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O quinto e último caso vai se ligar diretamente com as origens da heroína Jessica Jones, sua adolescência, como ganhou seus poderes, e o encontro cruel com o vilão Púrpura (Kilgrave) que modificaria toda sua vida e lhe afastaria da carreira de heroína e na reta final ela é obrigada a se confrontar com ele novamente. O final da série é MUITO convencional, mas vou me limitar a dizer que dentro das expectativas, o saldo geral é mega positivo. A história de Jessica continua na série The Pulse, que eu preciso ler só para confirmar se a minha preguiça pela hq faz sentido.

Mas o que houve com ela? Que poderes ela tinha? Ai, gente vão ler os quadrinhos! Ok, aqui vai um resumo, se não quiser spoilers, pule o vermelho:

Quando adolescente Jessica era uma garota normal que tinha uma crush pelo menino Peter Parker, e tinha fantasias com o Tocha Humana. O pai dela trabalhava nas indústrias Stark. Um dia, sua família inteira sofre um acidente de carro ao colidir com um caminhão do exército que carregava algum tipo de material experimental secreto. Única sobrevivente, Jessica fica em coma, e tempos depois é adotada. Logo, ela descobre que tem força física incomum e o melhor: pode voar. Com vontade de tentar ajudar os outros, salvar vidas, ela torna-se então a heroína Safira. Até que ela encontra o vilão Púrpura, que pode manipular a mente das pessoas. Ele a hipnotiza, e a mantém refém de seus poderes durante oito meses, onde entre outras sandices, abusa de meninas adolescentes enquanto faz Jessica assistir e pedir para ser a próxima (ele não chega a abusar dela sexualmente). Inimigo do Demolidor, ele tem a ideia de mandar Jessica matá-lo, ela sai, mas ao invés de encontrar o Demolidor, ela acha a Feiticeira Escarlate, se confunde e golpeia a Feiticeira. Mas como é um dia de MUITO azar, ela não apenas é atacada por Visão, como os Vingadores e os Defensores aparecem para cercá-la. Antes que algo pior aconteça, ela é salva por Carol. Jessica fica profundamente traumatizada, afinal ela estava consciente do que fazia quando estava nas mãos de Kilgrave, só não conseguia romper com os poderes dele. Com a ajuda de Jean Grey, ela inicia um tipo de terapia para nunca mais ter sua mente controlada de novo. Ela recebe o perdão e as desculpas dos Vingadores, mas decide romper com sua carreira. Além do trauma da tortura, ficou o ressentimento de que durante todo esse tempo, ninguém, família ou amigos, deu falta dela.

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Voltando. Um aspecto interessante da série, é que apesar de ser de um selo mais adulto, ALIAS não faz uso de sexo, nudez, ou sangue somente para chocar e pagar de maduro. Sim, porque botar sexo e violência em uma obra à torna inapropriada para leitores muito jovens, porém não é atestado de qualidade ou maturidade. Tem quem pense que sangue para todo lado vai dar profundidade para algum roteiro, mas as coisas não são bem assim. O roteiro é muito delicioso, tem uma crueza sincera e maluca. Não é politicamente incorreto, nem correto, mas divertido e inteligente. E é empático com os traumas da protagonista. Ah, Jessica Jones! Que personagem apaixonante! Logo no comecinho, você pode ter a impressão de que ela é do tipo fria e durona, mas a cada edição a ex-heroína vai mostrando outras nuances, nada de ser robotizada. O que me fez amar demais essa mulher é o fato dela ser humana, coisa que muitos artistas esquecem na hora de criarem uma personagem feminina decente. Confundem arrogância, frieza e violência com força e qualidade e esquecem de botar um coração e bom senso nas personagens.

Jessica felizmente não sofre desse mal, ela não é do tipo que vai bater gratuitamente em ninguém, ela sente medo, admite para si, é do tipo que liga para os amigos, busca abrigo. Poderes ela tem, mas não os usa, é marrenta que só o diabo, e muito engraçada com sua personalidade de maluca inquieta. Ela fuma e fala muitos palavrões, mas em nenhum momento isso é destacado como se fosse uma coisa do outro mundo, afinal ela é uma mulher, um ser humano, nada de estranho nisso (tirando o Thor claro, que estranha o linguajar rude da humana).

Mesmo sendo curta e grossa Jessica não é egoísta, ainda que seus traumas lhe empurrem para pensar o contrário; ela é solidária com as pessoas com quem interage, e eu gostei muito da sua empatia pelas mulheres vitimizadas que ela encontra no caminho. O caso da menina aranha ou da adolescente mutante são exemplos disso. Culpar a vítima não é do feitio da protagonista. De pé atrás mesmo, só fiquei com seu relacionamento com Luke Cage. Logo no comecinho, ela bêbada transa com ele, e depois ficam trocando acusações, e não gostei de Luke responsabiliza-la por ter bebido e ter ido pra cama com ele. Mas seguindo a série, percebi que Jessica ter a péssima mania de auto-humilhação, desdobramento dos traumas que carrega. Ela tem iniciativa sexual, mas pelos motivos errados, geralmente usando o sexo casual para ser usada e se sentir péssima no dia seguinte. No geral, ela é uma personagem muito divertida, e a cena onde ela diz “Deus que me perdoe o que vou fazer!” e coloca roupas sexys para poder entrar de penetra em uma boate é impagável.

Além de Luke Cage, o grosso que lhe dá um afago quando precisa e terá sua própria série em breve, ela inicia (com a mão de cupido da Carol) um namoro com o Homem-Formiga. Ela (assim como eu) reluta no inicio afinal, porra é um Homem-Formiga! Mas os dois começam uma relação estável e mei sem graça, o Scott é um cara bacana, mas faltou um sal nele. De amizades mesmo, ela tem Carol, que a protegeu em um momento difícil de sua vida. Ela é um pouco distante da mãe, mas mantem certo contato. E sobre a Bedchel Test, passa ou não passa? Sim, colegas feministas, passa facilmente.

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Eu estou muito ansiosa pela série e torço para que os roteiristas entendam o conceito da personagem e não criem uma mulher grosseira e vazia, coisa que Jessica não é. Fico um pouco apreensiva porque para algumas pessoas, Jessica faz o tipo: foda-se não me importo com ninguém, o que é uma interpretação muito equivocada dela. Custa nada sonhar em vê-la voando um pouquinho? Dos Defensores da Netflix (digo da Netflix pq a formação dos quadrinhos é totalmente outra), Jessica interage com Luke e Matt, o primeiro já está garantido na série, não sei o segundo. Não seria ruim uma pequena aparição.

Falando um pouquinho mais sobre a versão da Netflix, eu fiquei muito contente em saber que a série está sendo produzida por uma mulher, Melissa Rosenberg, que está trabalhando no projeto de adaptar ALIAS desde 2010; e só vendo para entender as comparações do produtor Jeff Loeb de que Kilgrave seria o New Wilson Fisk, pelo o que disse haverá momentos em que torceremos para ele, suas motivações, o que supõe que talvez, Purpúra será humanizado e não sei se gosto dessa direção. Kilgrave é um sádico, que abusa de adolescentes e quase destrói a vida de Jessica, eu não quero que inventem motivações para suas sandices, mas se a gente não confiar no tino da Netflix, não podemos confiar em mais ninguém. Outra coisa é a dependência de Jessica Jones do universo dos heróis, como mutantes, ou os Vingadores e o Demolidor, o que obviamente não vai ocorrer na série. Só espero que os casos não sejam comuns demais, não faz mal aparecer um ou outro que envolva poderes especiais ou referências a nomes conhecidos. Jessica Jones sem referências marvelísticas não é Jessica Jones.

No lugar de Carol Denvers, teremos Trish (a Hellcat) fazendo o papel de melhor amiga que toda protagonista precisa, onde Loeb destaca que Rosenberg na produção é importante, porque enquanto mulher, ela conseguiria desenvolver a amizade das duas melhor do que ninguém, as nuances de personagens que são muito diferentes, brigam mas se amam. Vamos ver como vai ficar. Eka Darville será Malcom, que nos quadrinhos é fã de Jéssica e após muita insistência dele, consegue trabalhar como assistente dela. Rosario Dawson retorna seu papel como Claire Temple. E claro, Mike Colter (pra mim, o Bishop de Good Wife) nosso Luke Cage.

E como bem lembrando pelos produtores o diferencial entre Jessica Jones e Demolidor, é que o segundo é sobre um herói que quer salvar sua cidade, a primeira é sobre uma ex-heroína que quer salvar seu apartamento, concluir casos, pagar suas contas. Jessica é uma sobrevivente, e é com esse pensamento que ela vai levando a sua vida. O quadrinho ALIAS será a base de referência da série, mas não podemos nos iludir que sua estrutura será adaptada porque já tá bem claro que infelizmente não. Essa é a parte triste, mas a melhor parte é que… Será uma série sobre Jessica Jones. Aquela personagem que você não conhecia, mas que com certeza vai figurar fácil entre as suas favoritas se tiver uma chance.

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A líndissima arte de Michael Gaydos, que fez as capas de ALIAS e também será responsável pela abertura da série. Pelo primeiro teaser, já vi que será linda ❤

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2 respostas em “Jessica Jones: das páginas de ALIAS para a Netflix

  1. Estou MUITO ansiosa pela série mas tenho medo de cagarem. Ainda mais agora com os boatos que tem surgido esses dias. Tenho medo da HQ e da própria JJ serem mal interpretados como vc falou. Mas espero que tudo dê certo. 🙂

    Curtido por 1 pessoa

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